Causa de Beatificação da Serva de Deus

História da Causa

2008

Antecipação da abertura do Processo de Beatificação da Irmã Lúcia

No dia 13 de Fevereiro de 2008, 3º aniversário do falecimento da Irmã Lúcia, o Santo Padre Bento VI, atendendo ao pedido de milhares de fiéis de todo o mundo, deu o seu consentimento para que se realizasse a abertura do Processo de Beatificação da Irmã Lúcia, dispensando assim 2 anos de espera para o prazo estabelecido pela Igreja.

O Santo Padre encarregou o Cardeal português, D. José Saraiva Martins, Prefeito para a Congregação da Causa dos Santos, de transmitir a notícia o que ele fez após a Eucaristia que celebrou no Carmelo de Santa Teresa, Coimbra, lendo publicamente, diante de centenas de fiéis, a carta com o Decreto do Vaticano que permite a abertura imediata do Processo de Beatificação da Irmã Lúcia.

«Bento XVI, acolhendo benevolamente o pedido apresentado pelo Bispo de Coimbra, D. Albino Mamede Cleto, e compartilhado por numerosos Bispos e fiéis de todas as partes do mundo, derrogou os cinco anos de espera estabelecidos pelas normas canónicas (cf. artigo 9 das Normae servandae), e dispôs que possa começar-se, apenas três anos depois da morte, a fase diocesana da causa de beatificação da Carmelita»

Todos os presentes, com o coração agradecido e num gesto de extrema alegria irromperam numa grande salva de palmas que os meios de comunicação social ampliaram para a Igreja inteira.

Para o Bispo de Coimbra, D. Albino Cleto, também presente na referida Celebração, esta decisão do Papa Bento XVI é reveladora “da estima do Santo Padre por Fátima e pela mensagem de Fátima, e, antes de mais, pelo acontecimento que aqui ocorreu, caso contrário não teria respondido positivamente ao pedido de antecipação”.

A partir deste momento é-nos permitido prestar culto e rezar pedindo a Deus graças por intercessão da Irmã Lúcia.

Abertura do Processo de Beatificação

No dia 30 de Abril de 2008, D. Albino Cleto, Bispo de Coimbra, deslocou-se ao Carmelo de Santa Teresa juntamente com uma equipa de Sacerdotes implicados no acontecimento e, na presença de toda a Comunidade das Irmãs Carmelitas, deu início ao Processo de Beatificação da Irmã Lúcia.

O Bispo de Coimbra em conjunto com o Carmelo de Coimbra escolheu e nomeou para Postulador da Causa o P. Ildefonso Morriones, Sacerdote Carmelita e para Vice-Postulador o Cónego Alberto Gil, Sacerdote da Diocese de Coimbra.


2009

Comissão Histórica

O Bispo de Coimbra, D. Albino Cleto, nomeou os membros da Comissão histórica do Processo de Beatificação da Serva de Deus Irmã Lúcia, que fizeram a sua tomada de posse no dia 23 de Junho de 2009 no Carmelo de Santa Teresa.

Esta equipa tem o encargo de reunir todos os escritos da Serva de Deus para fazerem parte do Dossier do Processo Diocesano em curso, um trabalho que se impõe demorado pelo facto de existirem milhares de cartas escritas pela Irmã Lúcia que terão que ser arquivadas, transcritas e organizadas segundo os critérios e exigências do Processo.


2012

Novo Vice-Postulador

Por resignação do Senhor Bispo D. Albino, tomou posse da Diocese de Coimbra o Senhor D. Virgílio do Nascimento Antunes que desde o início se mostrou muito interessado no andamento do Processo de Beatificação da Irmã Lúcia.

Em 12 de Janeiro de 2012, o Postulador da Causa de Beatificação da Irmã Lúcia, P. Ildefonso Moriones, nomeou Vice-Postulador o Cónego Aníbal Pimentel Castelhano.

Oficiais do Inquérito | Tribunal Eclesiástico

O Senhor D. Virgílio Antunes nomeou, no dia 10 de Março de 2012, os Oficiais do Inquérito que iniciaram de imediato o seu encargo de ouvir as testemunhas que irão depor no Processo de Beatificação, estando atualmente este trabalho em curso.

  1. Luís Ribeiro de Oliveira foi nomeado Delegado Episcopal.
    P. Pedro Carlos Lopes de Miranda foi nomeado Promotor da Justiça.
    D. Maria José Soares Ferreira Neves foi nomeada Notária.
    P. Pedro Alexandre Pinto dos Santos foi nomeado Notário Adjunto.

2013

Novo Postulador da Causa da Irmã Lúcia

O Padre Carmelita, Romano Gambalunga, é o novo Postulador que conduz a Causa de Beatificação da Irmã Lúcia.

Nasceu em Trento em 1970 e fez a sua Profissão Solene, como Carmelita Descalço, em 1996, tendo sido ordenado Sacerdote em 1997.

É licenciado em Teologia Espiritual, pelo Instituto de Espiritualidade da Faculdade de Teologia Teresianum de Roma, e em Filosofia e Mística, pelo Pontifício Ateneu S. Anselmo de Roma, onde também obteve o doutoramento em História da Teologia.

Foi nomeado Postulador Geral da Ordem do Carmelo Descalço a 6 de Junho de 2012, sucedendo ao anterior Postulador P. Ildefonso Moriones.

Em Julho de 2013, deslocou-se a Portugal, onde se encontra a decorrer a fase diocesana do Processo, para aprofundar o conhecimento sobre o desenvolvimento da Causa de Beatificação da Irmã Lúcia e visitar os lugares onde ela viveu, Fátima e Coimbra.

Concluiu que o trabalho da Causa desta Serva de Deus é muito grande, dado a sua longa vida, os seus muitos escritos e os muitos assuntos em que esteve envolvida e que lhe estão relacionados. Na sua opinião, o Processo está a desenvolver-se da melhor forma possível, uma vez que já foi realizada grande parte do trabalho necessário para a conclusão desta fase diocesana. Manifestou o desejo, de que em breve, a Causa possa chegar a Roma, para aí, dar continuação ao seu desenvolvimento.

O P. Romano tomou, ainda, conhecimento de dois casos que poderão ser considerados milagres e que irão ser analisados e estudados, em Roma, pelos peritos competentes.

Irmã Ângela Coelho nomeada Vice-Postuladora da Causa da Irmã Lúcia

A Irmã Ângela Coelho foi nomeada, no dia 8 de setembro de 2012, vice-postuladora da Causa de Beatificação da Irmã Lúcia pelo postulador Padre Romano Gambalunga.

Ao lado do já vice-postulador Cónego Aníbal Castelhano, a Irmã Ângela Coelho, acompanhará o desenrolar do Processo Diocesano, trabalhando em conjunto com a equipa que tem desenvolvido esta tarefa em prol da Beatificação da Irmã Lúcia que, por se tratar de alguém que viveu muitos anos e teve uma projeção mundial, é muito demorado e complexo.


2017

Clausura da fase do Inquérito Diocesano do Processo de Beatificação e Canonização da Irmã Lúcia

A sessão solene de clausura da fase do Inquérito Diocesano do Processo de Beatificação e Canonização da Serva de Deus Irmã Maria Lúcia de Jesus e do Coração Imaculado teve lugar no dia 13 de Fevereiro de 2017, dia em que se assinalava o 12º aniversário da morte da Serva de Deus, no Carmelo de Santa Teresa de Coimbra.

Virgílio Antunes, bispo da diocese de Coimbra, afirmou que esta sessão solene de clausura «era ardentemente desejada por muitas pessoas do mundo católico», porque a vidente, é «pessoa notória na história de Fátima».

Lúcia «gozou da fama de santidade», e a próxima fase deste processo passa pelo «envio à Congregação para as  Causas dos Santos, onde se segue o processo romano», e desta forma há a «alegria do dever cumprido».

O Bispo de Coimbra agradeceu a todos quantos se envolveram no processo desde o papa Bento XVII ao Santuário de Fátima e ao Carmelo de Coimbra, Promotor da Causa, concluindo que “o inquérito que hoje se encerra é fruto de muito trabalho, generosidade e muito amor à Igreja”.

Virgílio Antunes explicou que estiveram envolvidos, entre outros, 2 bispos, 2 postuladores, 3 vice-postuladores, 8 pessoas que integraram a comissão histórica e 61 testemunhas. Dessas testemunhas, salienta-se 1 cardeal, 4 bispos e 34 leigos, cujas declarações e trabalhos resultaram num processo de 15.483 páginas, acomodadas em 19 caixas.


Galeria de Fotos

O postulador do processo, o Padre Carmelita Romano Gambalunga, afirmou «Bem-aventurados os puros de coração, Lúcia era mesmo isso, uma mulher de coração puro, com uma missão grandiosa no século XX».
O sacerdote Carmelita salientou na Irmã Lúcia «A sua grandeza, humildade; a simplicidade de se deixar guiar; a liberdade de espirito; a luz da oração; a alegria de se saber na graça de Deus». Por isso, concluiu afirmando que este era «um dia memorável».

Cada processo de canonização é composto por uma fase diocesana e outra romana. A que agora termina foi constituída pela recolha e estudo teológico dos inúmeros documentos escritos pela Irmã Lúcia: os livros publicados, o seu diário a que deu o título O meu Caminho, a vasta documentação epistolar e outros documentos inéditos. Simultaneamente, foram ouvidas várias pessoas que com ela conviveram e cujo testemunho nos forneceu dados fundamentais para traçar o perfil da vida e das virtudes da religiosa carmelita que foi, um dia, vidente de Fátima.

Todo este material, juntamente com os documentos relativos à sua fama de santidade, seguirá agora para a Congregação para as Causas dos Santos, no Vaticano, onde se iniciará a fase romana deste processo, em que se estudará a vida e as virtudes da Irmã Lúcia.

Se, em conclusão desse estudo, se reconhecer na Irmã Lúcia o perfil de quem viveu a configuração com Cristo, o processo será apresentado ao Santo Padre que assinará o Decreto da Heroicidade das Virtudes, proclamando-a venerável. Se assim acontecer, ficará depois a faltar a aprovação de um milagre para a Beatificação e de um outro para a Canonização, terminando assim este processo.

A Irmã Ângela afirma a “grande atividade da Irmã Lúcia como apostola de Fátima”, aquela que “ficou no mundo para continuar a difundir a devoção ao Imaculado Coração de Maria”.

“O processo parece longo, e nós sentimos esse grande desejo que seja beatificada o quanto antes, mas associado à figura de Lúcia está inerente esta complexidade no sentido de quantidade de documentos que ela escreveu. Há um tratamento dos documentos a fazer com rigor o que vai atrasando as coisas ou vai fazendo demorar”.